Monday, July 11, 2011

O ATAQUE DOS DIABOS- FINAL

...- Mas você tem certeza de que de que Mohamed não está em lugar algum daquele palácio?-perguntou Klokan.
- Acho sim que Mohamed não está mais entre nós. Vi suas mulheres andando nuas pelo palácio, com homens estranhos - respondeu Rasput.Klokan lembrou doa velhos tempos em que participava das festas de Mohamed, inclusive uma especial lembrança de certa formosura turca que tinha mel na vagina.

Klokan chamou então Maremor, o espião invisível para fazer uma visita escondida ao palácio. Antes de tomar qualquer atitude, queria saber quem eram os forasteiros que tomaram o palácio e quais suas intenções.Quando a noite começava a cair, Maremor saiu de sua tenda em direção ao deserto.Após andar de camelo algumas horas e ter o rego assado, estava ele próximo ao castelo donde ouviu altos gemidos carregados de lascívia.Uma velha entrada secreta ao castelo há muito não era utilizada seria seu caminho de entrada no palácio.Removeu uns arbustos e da solidão das areias entrou no túnel que saía nos aposentos do guardião primeiro, Raduan.Na história das grandes e poderosas famílias das areias escaldantes, o guardião primeiro sempre fora o principal homem de confiança dos reis e príncipes, e não menos das rainhas e princesas carregadas de grande energia.Dotado de força e destreza descomunal, também atendia com total dedicação os dengos das mulheres palacianas.Ao entrar nos aposentos do guardião, Maremor ouviu alguns gemidos femininos: Raduan estava de carícias com Asda, a preferida de Belzebu.Maremor deslizou por entre cortinas de seda e ficou observando os acontecimentos.Raduan forte e destemido respeitava, mas não tinha medo de Belzebu e de nenhum capeta, e se aproveitava bem da carne macia de Asda.Quando o amante estava sobre ela iniciando o coito, foi surpreendido por uma ferroada de um escorpião venenoso, levado até suas costas pelas mãos invisíveis de Belzebu. Maremor ainda gritou: cuidado Raduan, suas costas!Raduan apanhou o escorpião e enraivecido levou-o a boca destroçando o bicho com os dentes. Sentiu na boca ainda o gosto nojento do restante do veneno. Urinou rapidamente numa velha caneca e lavou a picada com sua própria urina.As dores logo se acalmaram e ele pode pensar com clareza. Nisso Belzebu entrou no quarto e lançou labaredas contra o rival, que mesmo atordoado e sapecado, conseguiu rapidamente erguer uma grande mesa e desviou o fogo poderoso.A bela e formosa Asda, tomada de paixão repentina por Raduan, que observava a luta sem tomar partido, resolveu ir para o lado do seu amor; por certo não achou uma boa idéia morar no inferno; tomou então nas mãos um frasco de água benta que tinha recebido de sua avó cubana católica fervorosa, e derramou-o sobre a cabeça do pavoroso, que se desmanchou no mesmo momento.Um grande estrondo foi ouvido e um clarão vermelho cegou a todos no palácio.Capetas abriram suas asas fedorentas e voaram pelos céus.Urravam como grandes felinos, soltando fogo pelas narinas.Quando um demônio é evaporado por água benta jamais poderá voltar a terra; então deveriam dar explicações aos superiores infernais.Todos os diabinhos voltaram ao inferno para tomarem suas novas ordens.Diante do presidente do conselho infernal e do diabo-mor, os maléficos jogaram pedras uns nos outros.Enquanto isso Raduan mais do que depressa montou seu harém e convidou Maremor para juntar-se a ele. Maremor vendo tantas formosuras decidiu entrar para o grupo, deixando de lado seu chefe Klokan.Raduan fez seus contatos e arrumou um pequeno exército para defender seu harém.Porém eles não contavam que os conselho mandasse imediatamente dois diabos para vingar o ataque a Belzebu.Os escolhidos foram Pluto e Set, com a missão de destruir a todos que colaboraram com Raduan.Armados de todas as ferramentas disponíveis no inferno, saíram eles para cumprir sua missão.Mas nas câmaras infernais também reinava uma inveja desgraçada e alguns diabinhos não gostaram da escolha, entre eles Temba e Yaotzin.Emboscaram Pluto e Set no desfiladeiro maldito, jogando sobre eles uma mistura de pó-de-mico com folha de palmeira abençoada na semana santa.Houve uma troca de labaredas e maldições, além do coça-coça.Mas não valeram suas artimanhas e foram devolvidos ao inferno, arrastados pelo saco como é de praxe no estranho mundo dos diabos.Suas penas foram de mil dias mergulhados em tonéis de vinagre.Pluto e Set chegaram então ao palácio como cobras, escondidos pelos cantos imundos.Rastejando pelo piso gelado do palácio, às vezes tropeçavam em bosta de cachorro, bosta de bichanos e diabolicamente irados gemiam de raiva. Os capetas foram acumulando informações sobre tudo e todos. Matariam todos e voltariam ao inferno para receber condecorações.Enquanto isso no seu grande oásis, Klokan estava beiçudo e enciumando por perder Maremor, e mais ainda por estar nas mãos dele tantas mulheres formosas.Pensava numa maneira de entrar no palácio e se apoderar de tudo.Asda, que fora amante e depois traidora de Belzebu foi à escolhida para ser a primeira das vítimas da dupla Pluto e Set. Quando tomava seu banho de espuma e de rosas africanas, cantando feliz na sua banheira de mármore, foi atacada com uma mistura feito de sangue de morcego gay misturado ao pó de Cimentolik.Surpresa com o rápido ataque, não pode reagir.Jogada a mistura na água de banho, em segundos Asda torno-se uma bela estátua de jardim.Seu corpinho antes moreno agora cinza, totalmente endurecido foi encontrado por Belenot, que apavorada correu para chamar Raduan.Os capetas enquanto isso se transformaram em pulgas e foram dormir no lombo de um pobre cachorro que perambulava por ali.Raduan e Maremor chegaram juntos da estátua de Asda, vendo toda sua beleza petrificada.Quase enlouquecido de ira, Raduan apanhou o pobre cachorro que por ali andava e o jogou no forno de fundição.Pluto e Set finalmente fodidos e torrados.Nisso foi anunciado nos portões a chegada de Klokan e sua comitiva.Vinham para tratar de resolver os atritos antes que acontecesse uma guerra entre eles.Klokan já estava um pouco passado e queria sossego junto de muitas mulheres; sinceramente algo difícil de conseguir.Pelo lado dos capetas, após a destruição de Pluto e Set houve uma nova conferência e ficou determinado que o melhor era deixar os homens de lado e farrear no inferno,pois os humanos estavam cada vez mais parecidos com eles. Ainda mais que o grande capeta soube que Kembo, o destruidor de demônios estava bem próximo de chegar ao castelo. Entre muitas conversas Raduam, Maremor e Klokan dividiram as mulheres, inclusive as feias e banguelas, pois todas queriam entrar para o rodo.O castelo foi dividido em três partes e todos viveram felizes por um curto espaço de tempo até que...

O ATAQUE DOS DIABOS -PARTE 2

...Até mesmo a própria irmã foi por ela caluniada.Em semanas capetas tomaram conta do palácio, sendo os donos do inferno e suas alegres mulheres também os donos da situação.Lubrichaia,mulher de peitos enormes e bunda empinada deu conta tranqüilamente de Diangras e Zarapelho, após ter jogado seu paciente marido Osmod num poço ornado de serpentes peçonhentas.Dhasla, a negra reluzente deslizou dias pelos corredores levando alguns diabinhos acorrentados, que usou alegremente para eliminar seus inimigos palacianos.Dhilas, a mais bela das feras, açoitou rindo seu servo Romerdo por trinta dias, acabando completamente com o couro do pobre.O sangue manchou o chão do palácio e o murmúrio do vento não isolava do mundo o grito dos sofredores aprisionados.Tabhita, a pervertida, encontrou em Pan o companheiro ideal para noitadas sem fim.Somente descansou quando teve nas mãos a pele do pênis do amante, feito pedaço de trapo após tanto uso.Com todos os homens do palácio eliminados, inclusive o soberano Mohamed, corria pelos corredores as conversas a boca pequena de quem seria o líder que comandaria os caídos.Lubrichaia já havia chamado Asda para uma conversa.
-"Precisamos nos unir para que tenhamos mais força. Está chegando o dia em que alguém vai querer comandar nosso grupo por aqui..Precisamos unir Diangras e Zarapelho com Belzebu; nós, estando unidas, não deixaremos que outras assumam o comando.Vamos nos organizar por aqui e depois partiremos para novas conquistas.O mundo é nosso, está aí para que tomemos posse dele" - disse Lubrichaia.
Asda concordou prontamente e decidiram que o primeiro passo seria contra Asmodeus e sua mulher Belenot.Mas...
Antes do cair daquela noite chegou um viajante inesperado chegou ao palácio de Mohamed perguntando por ele. Era o coxo Rasput, mas feio e enrugado que saco de velho, que passava por ali todos os anos vendendo charque de buchada de camelo.Achou estranho não encontrar Mohamed e tampouco nenhum dos antigos conhecidos, apenas suas belas mulheres.Disseram-lhe que tinham saído para caçar leões e outras feras.Rasput era coxo, mas não ingênuo, e logo percebeu que havia alguma coisa errada acontecendo.Disfarçou um pouco sua desconfiança e antes do dia amanhecer fugiu rastejando para fora do palácio, mesmo enchendo a boca de areia e deixando seus camelos carregados para trás.Foi ainda perseguido por Nicodemos Mão-de-Sangue, fiel capanga de Belzebu, mas como estava uma noite sem luar não foi localizado nas areias do deserto.Nicodemos não teve sorte e acabou morto pela picada de um escorpião Red Back.Conseguiu chegar no oásis do grande líder das areias do deserto, Klokan, e relatou para ele os acontecimentos estranhos e o fato de não haver encontrado o soberano. Moham Klokan ficou por alguns minutos coçando sua enorme barba carregada de piolhos e pensando em quem seriam os estranhos que estavam no palácio do amigo.


O ATAQUE DOS DIABOS - PARTE 1

O anjo revoltoso de tantos nomes saiu do inferno juntamente com seus partidários para fazer barbaridades sem fim. Chegaram às areias do deserto voando com suas asas peludas e fedorentas justamente num dia festivo. Pousaram dentro do enorme palácio Universal Dourado, construído no deserto para grandes orgias pelo soberano Mohamed, filho do grande Parduan Mohamed, que raios o partam; também era filho do não menos grande safado, sultão Hedir Mohamed, conhecido pelas vizinhanças como o rei das bronhas. Ocorria no momento a maior das sacanagens, e o soberano e a sua corte bebiam com suas mulheres, estando elas em pelo quando foram interrompidos pela chegada dos estranhos que, vendo tanta fartura, cresceram seus olhos e tiveram involuntárias ereções.Os mais assanhadinhos babavam tanto que um córrego de baba se formou nas areias palacianas.Porém engana-se quem pensa que chegaram mostrando armas: apresentaram-se como carneirinhos de faces angelicais, nada temíveis.Uns rezavam, outros entoavam cânticos de louvor.Diziam-se viajantes de uma terra distante e que ali estavam para negócios com camelos.Mediante uma certa quantia em ouro, pois o grande Mohamed era um mão-de vaca daqueles, conseguiram autorização para fazer uma parada.Foram aos poucos conquistando a confiança do soberano e dos súditos. Presentinho pra lá, presentinho pra cá, uma verdadeira orgia de escritório. Eram capazes de mágicas espetaculares e não faltavam bebidas e diversas iguarias. Com tantos poderes maléficos adquiridos quando estavam ainda na esfera infernal, principalmente nas especiais artes das intrigas palacianas, ensinadas lá com muita qualidade por políticos, advogados, bispos, padres e pastores que fazem muitas horas no inferno dando produtivas aulas.Fizeram pois suas artimanhas, e aconteceu que os homens em pouco tempo desconfiassem um dos outros e se engalfinhassem em duelos mortais.Usaram as mulheres com ambições desmedidas para terminar com a pouca ordem que ali existia.O caos promovido pelos diabos foi enorme.Aos poucos os malvadinhos tomaram conta de tudo, e passaram a usar não somente a forma humana para enganar os mais ingênuos e tolos membros da elite palaciana.Ansiosos para demonstrar suas habilidades transformaram-se em cães e lobisomens; outros em borboletas e colibris.Nesse rolo todo estava Asmodeus, organizando a partir de então o maior festival anual de sacanagens da época.Ninguém, mas ninguém mesmo era dono da própria retaguarda.Asda, a piranha preferida do soberano, cooptada por Belzebu, usou sua língua poderosa para espalhar um arsenal de maldades sem precedentes na história do mundo.

Thursday, July 07, 2011

Miniconto- O GORDO

Tinha trinta anos e media um metro e setenta de altura, pesava a bagatela de cento e vinte quilos. Para todos seus conhecidos, Daniel era uma referência como a padaria da esquina. As piadinhas e perguntas maldosas o fizeram preparar um arsenal de respostas marotas.
-E aí, ainda está enxergando o pinto?
-Enquanto eu estiver vendo o teu rabinho, não me preocupo-respondia ele. Mas como todo ser humano ele foi se cansando das brincadeiras bobas e resolveu encarar um regime muito rígido. Sofrimento diário, um verdadeiro inferno. Quase nada de comida, frutas e exercícios em excesso. Dieta desgraçada, capaz de matar de fome um monge budista. Foi ficando verde de tanto comer capim. Sabia o nome de mais de duzentos chás emagrecedores.Fez um guarda-chuva somente com caixinha de remédios para emagrecer.Mas exagerou e não deu outra: quem carregou o caixão disse que ele pesava quarenta quilos,já contando com o peso do invólucro de madeira.

Tuesday, July 05, 2011

Miniconto- O PAPAI SENADOR

O senador Aristeu Pedroso aos sessenta anos se tornou finalmente papai. Gastou uma fortuna com o pré-natal na Europa, mais precisamente em Londres. A jovem esposa teve o melhor tratamento que o dinheiro pôde comprar.Nada faltou para que o rebento viesse ao mundo cheio de saúde.E assim no dia 7 de julho nasceu o menino,belo e saudável. Porém o nobre senador é o único da família que não está contente com o nascimento do filho,muito pelo contrário.O pequeno Raimundo já nasceu falando e escrevendo,além de cantar,caso jamais visto em todo o mundo.Médicos de todo planeta já analisaram o menino especial e dizem que é gênio.O caso só ficou ruim mesmo para o papai, pois o menino nasceu falando mal,imagine, do próprio pai!Ele brada aos quatro cantos: meu pai é um corrupto,meu papai é um fino ladrão!O senador aborrecido mandou esconder o menino.Mas pelo jeito não vai adiantar: O diabinho não sai de casa,mas já está escrevendo um livro sobre as façanhas monetárias do papai e já postou vídeo na internet contando tudo.

Monday, July 04, 2011

Poeminha- O MELHOR DIA PARA MORRER

O menino João morreu nesta tarde de sol.
Ninguém deveria morrer num dia como esse
Em que o céu está todo azul e sorri feliz
Não se importando com quem chora abaixo dele.
Penso que todos deveriam morrer num dia chuvoso.
Não que eu não ame a chuva
Não que a chuva não seja bela
Mas creio que combina melhor
Morte e chuva que
Morte e sol.
Num dia ensolarado sinto que a dor da morte é mais implacável
A saudade chega antes e mais afiada.
Mas quando se misturam gotas de chuva e lágrimas
O coração em pranto sente um certo alívio e renova a esperança
De encontrar a paz.

Miniconto- PERDIDA NA NOITE

Num canto escuro de uma esquina mal-cheirosa, agarrada nos tijolos de um prédio sujo, ela vomitava. Suas pernas manchadas de bexigas roxas demonstravam a falta de cuidado que tinha para consigo. Um homem bêbado passou perto e disse alguns gracejos enquanto ela jogava fora sua existência, encharcada de álcool nas noites da vida. Após o pior passar ela levantou os olhos para o céu e viu a lua olhando para sua carcaça desalinhada. Por um breve momento pensou nos sonhos de menina que o diabólico tempo tratou de pulverizar. Tinha perdido o juízo, a juventude tão gostosa de ser vivida,os amigos verdadeiros; a família que ela mesma deixara para trás. Caminhou alguns quarteirões até seu quartinho acanhado no hotelzinho de quinta categoria.Abriu a porta e sentiu no rosto o cheiro de mofo que dominava o cubículo.Sentou-se na cama e acendeu mais um cigarro, talvez o trigésimo da noite.Tudo à sua volta rodava, os olhos de peixe morto, pálpebras caídas.Após fumar, apagou o venenoso esse deitou sobre o cobertor que já cobrava uma boa lavagem.Apagou.Mais uma noite de trabalho encerrada, mais um dia vivido sem ter alegria no coração.

ARZINHO

Debaixo de frondosa árvore na praça, um velhinho de boca aberta olhava por horas o movimento dos automóveis que por ali circulavam. Pedi se ele estava com algum problema. Não, me disse ele, estou aqui dando um arzinho pros dentes.

O VIDENTE

Mora na vila de Mozara o vidente chamado Kalomeu. O vidente Kalomeu se alimenta uma vez por dia apenas de raízes e folhas caídas; carne não come... Caso não seja picanha e toma somente água da chuva, filtrada no carvão. A pele do rosto é lisa, ausente de rugas, ninguém diz ter ele cem anos já vividos. Com tal idade então começou a namorar Katrilu, moçoila de trinta e seis anos, uma enorme traseiro redondo, algumas pelanquinhas e coxas palpáveis. Nosso vidente faz previsões sombrias sobre o futuro do mundo e o fim de tudo. É muito admirado pelas crianças e velhos, homens e mulheres. Sentado em seu banquinho de madeira, joga para o alto bostinhas secas de cabrito e conforme elas caem no pano branco de algodão, faz suas previsões.Pedimos ao grande sábio que fizesse algumas previsões para nós neste dia ensolarado de vinte de maio de 2009.Na sua leva de bostinhas atiradas conseguiu nos dizer que:


Lula morrerá como nasceu, ou seja, ignorante. M.Jackson jamais voltará a ser negro, embora possa recuperar seu nariz. Silvio Santos viverá ainda mais cem anos e irá enterrar com pompas o Raul Gil. Hebe Camargo e Ana Maria terão seus corpos doados à ciência como prova dos milagres da medicina estética. Galvão Bueno viverá muito,embora muito doente nos últimos anos, após ter levado um choque elétrico ao gritar gol do kaká e engolido no ato metade de um microfone.O estado do Maranhão irá desaparecer dentro de mil anos,mas o clã Sarney continuará governando suas ruínas até a eternidade.Fidel Castro será o comandante da Arca de Fidel,durante o grande dilúvio de 3.003 d.c.O estado do Rio de Janeiro será governado no próximo século pelo PDC –Partido dos Maconheiros-quando as reuniões do secretariado serão embaladas pela fumaça dos baseados.nho.O estádio dos Aflitos do Náutico continuará com seu gramado esburacado até o dia em que não restará nada, apenas buracos, e ele será transformado no Piscinão dos Aflitos.Ricardo Teixeira ainda estará no comando da CBF quando o futebol for jogado com bolas de plástico cor de rosa.Gilberto Gil irá compor com Caetano Veloso e Chico Buarque um trio sertanejo universitário que fará muito sucesso em Cuba.Nosso país será conhecido não mais como o país do carnaval,mas sim como o país dos come e dorme,graças ao programa Bolsa Dorminhoco do governo petista.Hugo Chávez morrerá precocemente ao abrir uma granada pensando ser um refrigerante.Evo Morales ficará muito rico.Viverá por muitos anos nos Alpes Suíços e perecerá ao correr nu e de membro ereto atrás de uma cabritinha pelas encostas geladas do lugar. Mahmoud Ahmadinejad não conseguirá através do ódio levar o Irã a ser uma potência belicista,muito pelo contrário;em 2025 o país tomará o lugar do Brasil e será conhecido como o país das mulatas.

Sunday, July 03, 2011

Miniconto- FUNERAL DO HOMEM EMINENTE

Quando o cortejo entrou no cemitério ele já não estava no caixão. Nele apenas jazia sua pobre carcaça fedorenta.Pairando no ar observava o lamento dos hipócritas,o choro dos aproveitadores de plantão.Verdadeiros e falsos amigos dividiam o peso do esquife,sôfregos e pesarosos.A jovem viúva fazia um enorme esforço para chorar e manter o ar de tristeza no rosto,quando na verdade pensava no saldo bancário e nos inúmeros imóveis do falecido marido.E foi assim que ele sorriu de alegria ao perceber que deles estava finalmente livre.

Poeminha- Minha solução

Quando não me encontro
E fico cheio de desencontros
Vou lá fora no quintal
E fico então de pés descalços
Pisando na boa terra
E dizendo um sorridente bom dia aos vizinhos.

Miniconto- INFERNO

Estou no inferno. A cor do céu aqui no inferno é cinza e sopra um vento frio. Os edifícios estão todos em mau estado,caindo aos pedaços.Ruas esburacadas e esgoto a céu aberto fazem das ruas piscinas de moscas.Penetro num barracão abandonado e encontro alguns esqueletos solitários dormindo dentro de fornalhas.Algumas velhas máquinas de tortura estão por ali jogadas,apodrecidas pelo tempo.Quando saio do barracão esbarro num velho capeta sem cor,todo enrugado e molenga.Pergunto onde estão todos os demônios:
-A nova geração acabou de mudar de ramo. O inferno se foi por completo. Com o ser humano é praticamente impossível competir.- Falou isso e saiu chorando desolado.

Saturday, July 02, 2011

Miniconto- TRAGO

Procurava um lugar para bebericar de graça, mas já estava bêbado. Entrou então numa capela onde se realizava um velório e aprontou o maior rebuliço.Mesmo sem ouvir música alguma achou que era um baile e foi tirando a viúva para dançar.Não contente ainda foi para cima do defunto derrubando velas e castiçais.Levou uns petelecos e foi atirado num canto.Quando apareceram os homens da Brigada Militar não se conteve e gritou: Viva ! Finalmente o conjunto chegou! Levou mais dois sopapos e acordou somente detrás das grades, já curado do porre. Então de joelhos implorou por perdão pedindo para ser solto.Foi liberado e já na primeira esquina tomou uns goles e aprontou novamente.A boca em que se metera era braba,levou dois tiros e disse adeus ao mundo terreno.Quando percebeu estava no purgatório, acompanhado pelo marido da viúva que tirara para dançar no velório.Apanhou novamente e por castigo recebeu o quarto mais perto do fogo.

Mniconto- UM SANTO NO CÉU

Estou no céu. Os riachos correm límpidos e a brisa que sopra é perfumada. Diversos animais brincam ao meu redor. A grama está sempre verde, cheia de vida. O silêncio só é interrompido pelo cantar dos pássaros. O clima é agradável, nem frio, nem quente. A paz é total.Mas aqui vejo um grande problema: o céu está vazio.

Miniconto- SOMBRA

Ele tinha certa dificuldade em fazer amigos. Para dizer a verdade não tinha nenhuma facilidade em se aproximar de alguém. Para uns era um grande chato, para outros apenas um jovem profundamente melancólico. Algo que Joel não sabia era sorrir, sempre taciturno vivia para si. Naquela cidade não havia por certo pessoa mais solitária e triste, sua única amiga era uma televisão de 20 polegadas que dele não podia fugir. Do trabalho no banco para casa e nada mais. Não tinha empregada em casa nem bichos para cuidar. Pensou num cachorro, mas logo desistiu, não queria ter o trabalho de limpar sua sujeira. Teve sua tragédia pessoal quando sua noiva o trocou por outra. Não reagiu, não lutou nem um pouquinho para sair da tristeza, apenas entrou no baú dos solitários. E foi assim que um dia sua própria sombra resolveu deixá-lo, abandonando um corpo quase já sem vida. E quando o sol mostrava seu brilho e calor, Joel caminhava pelas ruas sem ter sequer a própria sombra por companhia.

Sunday, March 06, 2011

SONHO DE UMA TERÇA-FEIRA GORDA

Eu estava contigo. Os nossos dominós eram negros,
[e negras eram as nossas máscaras.
Íamos, por entre a turba, com solenidade,
Bem conscientes do nosso ar lúgubre
Tão contrastado pelo sentimento de felicidade
Que nos penetrava. Um lento, suave júbilo
Que nos penetrava… Que nos penetrava como uma
[espada de fogo…
Como a espada de fogo que apunhalava as santas extáticas.

E a impressão em meu sonho era que se estávamos
Assim de negro, assim por fora inteiramente de negro,
- Dentro de nós, ao contrário, era tudo tão claro e luminoso.

Era terça-feira gorda. A multidão inumerável
Burburinhava. Entre clangores de fanfarra
Passavam préstitos apoteóticos.
Eram alegorias ingênuas, ao gosto popular, em cores cruas.
Iam em cima, empoleiradas, mulheres de má vida,
De peitos enormes - Vênus para caixeiros.
Figuravam deusas - deusa disto, deusa daquilo, já tontas e
[seminuas.
A turba ávida de promiscuidade,
Acotovelava-se com algazarra,
Aclamava-as com alarido.
E, aqui e ali, virgens atiravam-lhe flores.

Nós caminhávamos de mãos dadas, com solenidade,
O ar lúgubre, negros, negros…
Mas dentro em nós era tudo claro e luminoso.
Nem a alegria estava ali, fora de nós.
A alegria estava em nós.
Era dentro de nós que estava a alegria,
- A profunda, a silenciosa alegria…
Manuel Bandeira

Você

Tenho sua pessoinha em meus sonhos.
Tão bom é ver você nua, aconchegada em meus braços.
E no retiro de um ambiente fresco e simples
Sem ninguém além de nós dois
Quero mesmo é embriagar-me de você.

Monday, February 28, 2011

Tautologia

É o termo usado para definir um dos vícios, e erros, mais comuns de linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como pode ver na lista a seguir:

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exacta
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livreescolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- facto real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a últimaversão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito .

Palíndromo

Um palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário.

Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido:

SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.

Diante do interesse pelo assunto (confesse, já leu a frase ao contrário), tomei a liberdade de seleccionar alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões...


ANOTARAM A DATA DA MARATONA

ASSIM A AIA IA A MISSA

A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

A DROGA DA GORDA

A MALA NADA NA LAMA

A TORRE DA DERROTA

LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL

O CÉU SUECO

O GALO AMA O LAGO

O LOBO AMA O BOLO

O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO

RIR, O BREVE VERBO RIR

A CARA RAJADA DA JARARACA

SAIRAM O TIO E OITO MARIAS

ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ

Sunday, February 27, 2011

Obras de Moacyr Scliar

Contos
O carnaval dos animais. Porto Alegre, Movimento, 1968.
A balada do falso Messias. São Paulo, Ática, 1976.
Histórias da terra trêmula. São Paulo, Escrita, 1976.
O anão no televisor. Porto Alegre, Globo, 1979.
Os melhores contos de Moacyr Scliar. São Paulo, Global, 1984.
Dez contos escolhidos. Brasília, Horizonte, 1984.
O olho enigmático. Rio, Guanabara, 1986.
Contos reunidos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.
O amante da Madonna. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1997.
Os contistas. Rio, Ediouro, 1997.
Histórias para (quase) todos os gostos. Porto Alegre, L&PM, 1998.
Pai e filho, filho e pai. Porto Alegre, L&PM, 2002.
Histórias Que Os Jornais Não Contam. Rio de Janeiro, Agir, 2009.
Romances
A guerra no Bom Fim. Rio, Expressão e Cultura, 1972. Porto Alegre, L&PM.
O exército de um homem só. Rio, Expressão e Cultura, 1973. Porto Alegre, L&PM.
Os deuses de Raquel. Rio, Expressão e Cultura, 1975. Porto Alegre, L&PM.
O ciclo das águas. Porto Alegre, Globo, 1975; Porto Alegre, L&PM, 1996.
Mês de cães danados. Porto Alegre, L&PM, 1977.
Doutor Miragem. Porto Alegre, L&PM, 1979.
Os voluntários. Porto Alegre, L&PM, 1979.
O centauro no jardim. Rio, Nova Fronteira, 1980. Porto Alegre, L&PM (Tradução francesa:"Le centaure dans le jardin" ),Presses de la Renaissance,Paris, 1985, ISBN 2-264-01545-4
Max e os felinos. Porto Alegre, L&PM, 1981.
A estranha nação de Rafael Mendes. Porto Alegre, L&PM, 1983.
Cenas da vida minúscula. Porto Alegre, L&PM, 1991.
Sonhos tropicais. São Paulo, Companhia das Letras, 1992.
A majestade do Xingu. São Paulo, Companhia das Letras, 1997.
A mulher que escreveu a Bíblia. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
Os leopardos de Kafka. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.
Na Noite do Ventre, o Diamante. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2005.
Ciumento de carteirinha Editora Ática, ISBN 8508101104, 2006.
Os Vendilhões do Templo Companhia das Letras, ISBN 9788535908299, 2006.
Manual da Paixão Solitária. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
Eu vos abraço, milhões. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Ficção infanto-juvenil
Cavalos e obeliscos. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1981; São Paulo, Ática, 2001.
A festa no castelo. Porto Alegre, L&PM, 1982.
Memórias de um aprendiz de escritor. São Paulo, Cia. Editora Nacional, 1984.*
No caminho dos sonhos. São Paulo, FTD, 1988.
O tio que flutuava. São Paulo, Ática, 1988.
Os cavalos da República. São Paulo, FTD, 1989.
Pra você eu conto. São Paulo, Atual, 1991.
Uma história só pra mim. São Paulo, Atual, 1994.
Um sonho no caroço do abacate. São Paulo, Global, 1995.
O Rio Grande farroupilha. São Paulo, Ática, 1995.
Câmera na mão, o Guarani no coração. São Paulo, Ática, 1998.
A colina dos suspiros. São Paulo, Moderna, 1999.
Livro da medicina. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2000.
O mistério da Casa Verde. São Paulo, Ática, 2000.
O ataque do comando P.Q. São Paulo, Ática, 2001.
O sertão vai virar mar. São Paulo, Ática, 2002.
Aquele estranho colega, o meu pai. São Paulo, Atual, 2002.
Éden-Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 2002.
O irmão que veio de longe. Idem, idem.
Nem uma coisa, nem outra. Rio, Rocco, 2003.
Aprendendo a amar - e a curar. São Paulo, Scipione, 2003.
Navio das cores. São Paulo, Berlendis & Vertecchia, 2003.
Livro de Todos - O Mistério do Texto Roubado. São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008. Obra coletiva (Moacyr Scliar e vários autores)
Crônicas

Moacyr Scliar,um talento que nos deixa

O escritor Moacyr Scliar que havia sofrido um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC) e estava internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre desde 17 de janeiro, faleceu à 1h deste domingo, 27 de fevereiro.

Moacyr Jaime Scliar (Porto Alegre, 23 de março de 1937 - Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2011) foi um escritor brasileiro. Formado em medicina, trabalhou como médico especialista em saúde pública e professor universitário. Na madrugada do dia 16 de janeiro de 2011 sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Passou por um procedimento cirurgico no dia 17 de janeiro de 2011, vindo a falecer no dia 27 de fevereiro de 2011 no hospital de Clinicas de Porto Alegre.
Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre (RS), no Bom Fim, bairro que até hoje reúne a comunidade judaica, a 23 de março de 1937, filho de José e Sara Scliar. Sua mãe, professora primária, foi quem o alfabetizou. Cursou, a partir de 1943, a Escola de Educação e Cultura, daquela cidade, conhecida como Colégio Iídiche. Transferiu-se, em 1948, para o Colégio Rosário, uma escola católica. Em 1963, após se formar pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, iniciou sua vida como médico, fazendo residência médica. Especializou-se no campo da saúde pública como médico sanitarista. Iniciou os trabalhos nessa área em 1969. Em 1970, frequentou curso de pós-graduação em medicina em Israel. Posteriormente, tornou-se doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública. Já foi professor na faculdade de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Thursday, February 03, 2011

Morto

Você sabe o que é um homem triste?
Você sabe o que um homem morto?
Não?
Basta olhar para qualquer um que perdeu toda a esperança.
Esse é um homem morto.

Tuesday, January 25, 2011

Avalanche

Uma avalanche de informações caem sobre nós todos os dias
Ai ai que nos soterram...falta folego,o que será que estaremos perdendo se não abrimos essa página,esse e-mail?
Talvez nada de importante
É melhor pensar assim
É preciso dar um tempo
dizer basta
pois mesmo querendo jamais saberemos tudo
Não seja tolo
Afunde os pés numa bacia de água morna
converse com amigos e brinque
Ou morra enlouquecido nesse mundo de apelos visuais e informações sem fim.

Wednesday, January 19, 2011

Will e Ariel Durant sobre "civilização"

"A civilização é um rio com margens.às vezes,o rio está cheio de sangue que vem de pessoas que estão matando,roubando,fazendo coisas que os historiadores costumam registar;enquanto nas margens,sem serem notadas,pessoas constroem casas,fazem amor,criam os filhos que tiveram,cantam canções,escrevem poesias e até esculpem estátuas.
A história da civilização é o que acontece nas margens."

Saturday, January 15, 2011

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
Cora Coralina

Tuesday, January 11, 2011

Constante

Mesmo sabendo muito não sabemos nada,
é constante o aprendizado.
"Eu sei de tudo" nos torna pedantes
e consequentemente morremos mais ignorantes que deveríamos.

Monday, January 10, 2011

Irã bane os livros de Paulo Coelho

Paulo Coelho, o escritor brasileiro de maior sucesso mundial, está proibido de publicar os seus livros no Irã na semana passada. O banimento foi comunicado ao editor de Coelho no Irã, Iarash Hejazi. O motivo da censura, como em toda boa ditadura, não foi explicitado.

Os livros de Paulo Coelho são publicados no Irã desde 1998. Já vendeu cerca de 6 milhões de exemplares por lá. Diz Coelho:

- Eu sinceramente espero que o governo brasileiro se pronuncie.

Se fosse no governo Lula era melhor esperar sentado. É um bom teste, porém, para o governo que se inicia.
Por Lauro Jardim

Friday, January 07, 2011

Pão

Encontrei sentado na calçada um homem esquálido
Pensei estar ele morto de fome
E lhe ofereci pão
Mas o mendigo refugou o pão dizendo
De fome não morrerei
Pois ganho alimento de todos
Mas já que ninguém me oferece um livro
Posso morrer de burrice.

Pedras e pedrinhas

A família do velho Nelson.Da esquerda para direita:Filha Marília,filha Elis,genro Wagner,esposa Vanidia,netas Isadora e Vitória.

Monday, January 03, 2011

Estalo

O tempo não perdoa
É um grande velocista
A criança vira homem
Filho é pai
Pai é avô
Os cabelos caem
Os cabelos ficam brancos
Ele compra tintura pra cabelo
E remédio pra artrite
E pra tantas outras doenças
Que enumerá-las daria uma nova Bíblia
Mas não há tempo para mais nada
A tampa do caixão já foi aberta
Desejo-lhe uma boa jornada
Nesta viagem sem retorno.

Saturday, January 01, 2011

Mudar o mundo?

Não penso mais em mudar o mundo
É a mim que preciso mudar
Pois portador de tantos defeitos
Às vezes tropeço neles
E sinto então que minha consciência me condena.
"A lembrança da morte permanece distante quando se tem muitos projetos na vida."
"Um homem bom também pode ser levado ao crime por por circunstâncias fortuitas.Mas ao contrário do homem perverso,sua consciência o condena."

Sunday, December 26, 2010

Poesia polonesa- Entre tantas tarefas

Entre tantas tarefas
tão urgentes
esqueci que
também preciso morrer

leviano
descuidei dessa obrigação
ou só a cumpri
negligentemente

a partir de amanhã
tudo muda

começo a morrer com cuidado
com sapiência otimismo
sem perda de tempo.

Tadeusz Rózewicz-Tradução Marcelo Paiva de Souza
"Morrer de amor é se acabar em lágrimas de tanta saudade."

Tuesday, December 21, 2010

Calor

O calor faz suar rios que deslizam pelo corpo quente.
Não há vento,não há fria água que acalme
O sangue que ferve.
Pedras de gelo morrem em poucos minutos.
Os abanos manuais não fazem diferença,é o inferno na terra.
Quando o sufoco já é demais,a energia retorna
E com ela religa-se o climatizador.
Que invenção divina!

Mário Quintana- Ah!Os relógios

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Mario Quintana - A Cor do Invisível

Fernando Sabino-Frases

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

"Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um."

"Antes de mais nada fica estabelecido que ninguém vai tirar meu bom humor."

"O DURO OFÍCIO DE ESCRITOR
“Para mim, o ato de escrever é muito difícil e penoso, tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. Basta dizer, como exemplo, que escrevi 1.100 páginas datilografadas para fazer um romance, no qual aproveitei pouco mais de 300.”

Saturday, December 18, 2010

Relançamento do livro Os três mosqueteiros

RIO - Quase todo mundo já ouviu falar dos Três Mosqueteiros: eles eram quatro, usavam capa e espada, lutavam pelo rei da França e seu lema, de um romantismo a toda prova, era o (ainda) popular "um por todos, todos por um". Já o número de pessoas que de fato leram a história original de Alexandre Dumas (1802-1870) é bem menor. O escritor, tradutor e crítico literário Rodrigo Lacerda está entre esses leitores: conheceu Athos, Porthos, Aramis e D'Artagnan aos 12 anos numa edição de banca da Editora Abril, de capa vermelha, publicada nos anos 70. Hoje, aos 41 anos e pai de uma adolescente de 15, percebe um certo desconhecimento entre os jovens acerca dos clássicos juvenis. Daí seu orgulho indisfarçável com o lançamento da edição ilustrada de "Os três mosqueteiros" (688 páginas, R$ 69), com apresentação, tradução e notas assinadas por ele e por André Telles, e que é uma das principais apostas da editora Zahar para este Natal.

- Algumas histórias são tão difundidas que transcendem a categoria da literatura. É o caso de clássicos como os "Mosqueteiros", "Moby Dick", "O médico e o monstro": você não precisa ter lido para saber do que se trata. Eles fazem parte do imaginário coletivo, passam a integrar a língua, a cultura, viram mitos culturais - diz Lacerda. - Porém, ler esses livros também é importante. E notei que eles deram uma sumida das livrarias, em algum momento dos anos 90.
O Globo

Thursday, December 16, 2010

Você sabe o que é clepsidra?

A clepsidra ou relógio de água foi um dos primeiros sistemas criados pelo homem para medir o tempo. Trata-se de um dispositivo movido a água, que funciona por gravidade, no mesmo princípio da ampulheta (de areia).

Poesia Polonesa- Ao rio

Ao Rio
Ó rio-clepsidra de água metáfora da eternidade
entro em ti cada vez tão diferente
que poderia ser nuvem peixe ou rocha
e tu és imutável como o relógio que marca
as metamorfoses do corpo e as quedas do espírito
a lenta decomposição dos tecidos e do amor

eu nascido do barro
quero ser teu aluno
e conhecer a fonte o coração olímpico
ó tocha fresca coluna cantante
rochedo da minha fé e do desespero

ensina-me ó rio a ser teimoso e persistente
para que mereça na última hora
repouso na sombra do delta imenso
no sagrado triângulo do princípio e do fim.
Tradução de Ana Cristina César e Grazyna Drabik

O autor mais vendido na Europa em 2010- Stieg Larsson

Stieg Larsson (Skelleftehamn, Suécia, 15 de agosto de 1954 - 9 de novembro de 2004) foi um jornalista e escritor sueco.

Em 2004, aos cinquenta anos, pouco após entregar aos seus editores os manuscritos da Trilogia Millennium, morreu vítima de um ataque cardíaco. Tragicamente, não viveu para assistir ao fenômeno mundial em que a sua obra se tornou.

Em 2008, ele foi o segundo autor mais vendido no mundo, atrás do autor Afegão-Americano Khaled Hosseini.[1]
WIKI

Os livros mais vendidos na Europa em 2010

Livros de Stieg Larsson mais vendidos na Europa em 2010

Os livros da Trilogia Millennium («Os Homens que Odeiam As Mulheres», «A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina» e «Um Fósforo e A Rainha no Palácio das Correntes de Ar»), de Stieg Larsson e editados em Portugal pela Oceanos, foram os que mais venderam na Europa em 2010, assegura o site www.bookseller.com.

O site levantou os números dos livros mais vendidos no Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha e Suécia e chegou a conclusão de que as três obras de Stieg Larsson, que não usufruiu do seu êxito já que faleceu pouco depois de os entregar à sua editora sueca, superaram o norte-americano Dan Brown, que ficou na segunda posição. A lista conta ainda com nomesm como Ken Follet, Stephenie Meyer e Tatiana de Rosnay.

De referir que a Oceanos acabou de disponibilizar os livros da trilogia numa só caixa.
Fonte-Diário Digital

Tuesday, December 14, 2010

Poesia Sérvia - Águas de Fada

Aqui a cidade deposita
os seus corpos cheios de sujeira,cestos,sacos pretos
Aqui os girassóis de cada ano
esmagam-se num óleo ruivo qualquer
Aqui eu também leproso
filho de ninguém irmão de ninguém
da terra de ninguém coluna negra
nasci pela segunda vez
Aqui atrás de mim
feito incontáveis mães
saltitam corvos
Aqui crescerei
com uma grande cruz sobre a cabeça
Aqui encontrarei a minha amada
beldade de cabelos de arame e vidro
Aqui o cordeiro vagueia.
Nóvitsa Taditch

Monday, December 13, 2010

Você já leu?- Criação,de Gore Vidal

Sinopse

Reconstrução uma das épocas mais turbulentas e fascinantes da história da humanidade, o século V a.C., período em que se conceberam idéias filosóficas, sociais e políticas que mudaram o curso do mundo antigo. O protagonista de 'Criação' é Ciro, neto do profeta Zoroastro, que viaja como embaixador para além das fronteiras da Pérsia à procura de riqueza e, sobretudo, de respostas às perguntas acerca da criação e da origem do mundo. Autor: VIDAL, GORE
Tradutor: GOLDMAN, NEWTON
Editora: NOVA FRONTEIRA-
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA

Dores dezembrinas

Uma dor que não é física me aperta o peito no décimo segundo mês do ano.
Um sentimento que não toma forma me assombra dias e noites.
Se eu ainda soubesse o motivo desta dor
Poderia quem sabe buscar ajuda e consolo em algum lugar.
Mas ela me aflige, dá uma tristeza sem trégua e o remédio para ela eu não tenho
Pois veio assim do nada e comigo ficou.
Quem sabe ela irá embora quando dezembro passar?

Saturday, December 11, 2010

Li,gostei e recomendo- Eu, Malika Oufkir, Prisioneira Do Rei

Jamais li nada parecido em matéria de crueldade contra inocentes.
Sinopse

Best-seller na Europa, esta é a história de Malika Oufkir. Filha de um general marroquino, aos cinco anos ela foi adotada pelo rei Mohammed V e criada como uma princesa. Um dia, porém, seu verdadeiro pai foi acusado de tramar um golpe de Estado e a desgraça caiu sobre a família Oufkir. Sua mãe e seis de seus irmãos foram aprisionados, o que deu início ao que Malika e a jornalista francesa Michèle Fitoussi descrevem no livro como uma fuga desesperada para a vida.
Fonte- Livraria Cultura

Friday, December 10, 2010

Você já leu? - O Vermelho e o Negro - Sthendal

O VERMELHO E O NEGRO - Resumo estendido
M. de Rênal, o prefeito da cidadezinha provinciana de Verrières, contrata JULIEN SOREL para ser o tutor de seus filhos. JULIEN é apenas o filho de um carpinteiro mas sonha seguir os passos de seu herói, Napoleão.

Todavia, nesta época, os homens ganham o poder é na igreja (o negro), e não mais no exército (o vermelho).

Mesmo que esteja treinando para sacerdote, JULIEN decide seduzir a mulher do prefeito, Mme. de Rênal, porque pensa ser o seu dever. Eles se tornam amantes, porém, M. Valenod, o adversário político do prefeito, descobre o caso e começa a espalhar rumores.

M. de Rênal sente-se profundamente embaraçado, mas sua mulher o convence que os rumores são falsos. M. Chélan, o padre da cidade e mentor de JULIEN, o envia ao seminário de Besançon para evitar quaisquer escândalos posteriores.

O diretor do seminário, M. Pirard, gosta de JULIEN e o encoraja a se tornar um grande sacerdote. JULIEN se dá bem no seminário mas somente porque quer fazer fortuna e obter êxito na sociedade francesa. Os outros padres do seminário não percebem a hipocrisia de JULIEN, mas sentem ciúme de sua inteligência. M. Pirard está desgostoso com a política da Igreja e renuncia.

O seu benfeitor aristocrático, o Marquês de la Mole, quer que Pirard seja o seu secretário pessoal em Paris, mas M. Pirard diz-lhe que contrate JULIEN em seu lugar.

JULIEN sente-se repelido e interessado pela sociedade parisiense simultaneamente. Ele tenta se ajustar entre os nobres mas estes o tratam como inferior socialmente. Porém, a filha do Marquês, Mathilde, apaixona-se por JULIEN e eles se tornam amantes. Quando Mathilde engravida e conta a o Marquês acerca do seu caso, este fica furioso, mas logo enobrece JULIEN para que Mathilde o possa desposar. JULIEN, finalmente, tem o título aristocrático que sempre quisera para assegurar seu futuro.

Mas, Mme. de Rênal, sentindo-se culpada por essa aliança ímpia, manda ao Marquês uma carta denunciando JULIEN como mulherengo interessado apenas em fazer sua própria fortuna. Então, o Marquês se recusa a deixar sua filha casar com JULIEN, o qual retorna a Verrières, furioso, onde tenta matar Mme. De Rênal; é preso, sentenciado à morte, e morre dando-se conta que seu amor era de Rênal. Esta, logo após a morte de JULIEN na guilhotina, morre com o coração partido.
Fonte: Recanto das Letras

Poesia argentina- A Chuva

Tradução: Renato Suttana


A tarde bruscamente se aclarou,
porque já cai a chuva minuciosa.
Cai e caiu. A chuva é só uma coisa
que o passado por certo freqüentou.

Quem a escuta cair já recobrou
o tempo em que a fortuna venturosa
uma flor lhe mostrou chamada rosa
e a cor bizarra do que cor tomou.

Esta chuva que treme sobre os vidros
alegrará nuns arrabaldes idos
as negras uvas de uma parra em horto

que não existe mais. A umedecida
tarde me traz a voz, a voz querida
de meu pai que retorna e não é morto.

JORGE LUIS BORGES (1899-1986) - Argentino, um dos mais prestigiosos escritores da América hispânica. Antes conhecido por suas ficções do que pela poesia, embora se incluam neste gênero seus primeiros livros: Fervor de Buenos Aires, Luna de Enfrente, Cuaderno San Martín. O poema traduzido pertence a El Otro, el Mismo.

                                     (Extraído do JIRAU DIVERSO, blog de Enzo Carlo Barroco)

Wednesday, December 08, 2010

Trecho de Por que os Homens Amam as Mulheres Poderosas?, de Sherry Argov

- DE CAPACHO A MULHER DOS SONHOS CONHEÇA SEU PRÓPRIO VALOR E ELE A VALORIZARÁ
"Sex appeal é 50% o que você tem e 50% o que as pessoas acham que você tem."
SOPHIA LOREN
DEIXE-ME APRESENTÁ-LA À MULHER BOAZINHA

Todas nós conhecemos uma mulher boazinha. É aquela que se entrega por completo a um homem que mal conhece, sem que ele tenha que investir muito. É a mulher que se dá cegamente porque anseia receber de volta a mesma atenção. É a mulher que age de acordo com o que ela acha que o homem gosta ou deseja porque quer manter o relacionamento a qualquer custo. Toda mulher, em algum momento, já passou por isso.
É verdade que as revistas femininas, em geral, estimulam esse comportamento: "Comece bancando a difícil. Mas no segundo encontro prepare uma refeição dos deuses para ele, crie um ambiente romântico com música suave, champanhe em copos de cristal e luz de velas... Não se esqueça dos guardanapos bordados e dos morangos orgânicos daquela loja maravilhosa a duas horas da sua casa. Depois, sirva tudo usando uma camisola de renda preta." Essa é uma receita perfeita para quê? Para um desastre.

Tuesday, December 07, 2010

Poesia Sérvia- A vida é sonho

Não sou há tempos,nem na horizontal
Nem na vertical e você também não.
Nunca jamais existimos.Levantei vôo
No delgado galho,sem mover-me
Do lugar,nada aconteceu e também
Nada foi percebido.Você desapareceu 
Antes de nascer,feito pálida noiva,  
Nem boa nem má,sem face e sem solo, 
Que nada tem,nem vigor maior,   
A vida é um sonho em que os sonhos se esvaem 
Antes mesmo que a insônia se encrespe.

Simon Simónovitch-(1946-)
21.10.2003

Sunday, December 05, 2010

Nossa casa,nossa prisão

Altos muros nos cercam.
Portões  enormes nos isolam das ruas.
Câmeras de vigilância,fios elétricos e seguranças uniformizados nos guardam.
Temos também cães ferozes que até nos assustam.
Vivemos ou não numa prisão?

Trecho de Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch -PARTE ll

Os historiadores já fizeram retratos bem diversos dos índios brasileiros. Nos primeiros relatos, os nativos eram seres incivilizados, quase animais que precisaram ser domesticados ou derrotados. Uma visão oposta se propagou no século 19, com o indianismo romântico, que retratou os nativos como bons selvagens donos de uma moral intangível. Parte dessa visão continuou no século 20. Historiadores como Florestan Fernandes, que em 1952 escreveu A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá , montaram relatos onde a cultura indígena original e pura teria sido destruída pelos gananciosos e cruéis conquistadores europeus.

Os índios que ficaram para essa história foram os bravos e corajosos que lutaram contra os portugueses. Quando eram derrotados e entravam para a sociedade colonial, saíam dos livros. Apesar de tentar dar mais valor à cultura indígena, os textos continuaram encarando os índios como coisas, seres passivos que não tiveram outra opção senão lutar contra os portugueses ou se submeter a eles. Surgiu assim o discurso tradicional que até hoje alimenta o conhecimento popular e aulas da escola. Esse discurso nos faz acreditar que os nativos da América viviam em harmonia entre si e em equilíbrio com a natureza até os portugueses chegarem, travarem guerras eternas e destruírem plantas, animais, pessoas e culturas.

Na última década, a história mudou outra vez. Uma nova leva de estudos, que ainda não se popularizou, toma a cultura indígena não como um valor cristalizado. Sem negar as caçadas que os índios sofreram, os pesquisadores mostraram que eles não foram só vítimas indefesas. A colonização foi marcada também por escolhas e preferências dos índios, que os portugueses, em número muito menor e precisando de segurança para instalar suas colônias, diversas vezes acataram. Muitos índios foram amigos dos brancos, aliados em guerras, vizinhos que se misturaram até virar a população brasileira de hoje. "Os índios transformaram-se mais do que foram transformados", afirma a historiadora Maria Regina Celestino de Almeida na tese Os Índios Aldeados no Rio de Janeiro Colonial , de 2000. As festas e bebedeiras de índios e brancos mostram que não houve só tragédias e conflitos durante aquele choque das civilizações. Em pleno período colonial, muitos índios deviam achar bem chato viver nas tribos ou nas aldeias dos padres. Queriam mesmo era ficar com os brancos, misturar-se a eles e desfrutar das novidades que traziam.

O contato das duas culturas merece um retrato ainda mais distinto, até grandiloquente. Quando europeus e ameríndios se reencontraram, em praias do Caribe e do Nordeste brasileiro, romperam um isolamento das migrações humanas que completava 50 mil anos. É verdade que o impacto não foi leve – tanto tempo de separação provocou epidemias e choques culturais. Mas eles aconteceram para os dois lados e não apagam uma verdade essencial: aquele encontro foi um dos episódios mais extraordinários da história do povoamento do ser humano sobre a Terra, com vantagens e descobertas sensacionais tanto para os europeus quanto para centenas de nações indígenas que viviam na América. Um novo ponto de vista sobre esse episódio surge quando se analisa alguns fatos esquecidos da história de índios e portugueses.

Saturday, December 04, 2010

Trecho de Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch

Em 1646, os jesuítas que tentavam evangelizar os índios no Rio de Janeiro tinham um problema. As aldeias onde moravam com os nativos ficavam perto de engenhos que produziam vinhos e aguardente. Bêbados, os índios tiravam o sono dos padres. Numa carta de 25 de julho daquele ano, Francisco Carneiro, o reitor do colégio jesuíta, reclamou que o álcool provocava "ofensas a Deus, adultérios, doenças, brigas, ferimentos, mortes" e ainda fazia o pessoal faltar às missas. Para acabar com a indisciplina, os missionários decidiram mudar três aldeias para um lugar mais longe, de modo que não ficasse tão fácil passar ali no engenho e tomar umas. Não deu certo. Foi só os índios e os colonos ficarem sabendo da decisão para se revoltarem juntos. Botaram fogo nas choupanas dos padres, que imediatamente desistiram da mudança.

Os anos passaram e o problema continuou. Mais de um século depois, em 1755, o novo reitor se dizia contrariado com os índios por causa do "gosto que neles reina de viver entre os brancos". Era comum fugirem para as vilas e os engenhos, onde não precisavam obedecer a tantas regras. O reitor escreveu a um colega dizendo que eles "se recolhem nas casas dos brancos a título de os servir; mas verdadeiramente para viver a sua vontade e sem coação darem-se mais livremente aos seus costumados vícios". O contrário também acontecia. Nas primeiras décadas do Brasil, tantos portugueses iam fazer festa nas aldeias que os representantes do reino português ficaram preocupados. Enquanto tentavam fazer os índios viver como cristãos, viam os cristãos vestidos como índios, com várias mulheres e participando de festas no meio das tribos. Foi preciso editar leis para conter a convivência nas aldeias. Em 1583, por exemplo, o conselho municipal de São Paulo proibiu os colonos de participar de festas dos índios e "beber e dançar segundo seu costume".

Os livros mais vendidos- Veja

Os mais vendidos/ 08 dezembro 2010


FICÇÃONÃO-FICÇÃO AUTOAJUDA E ESOTERISMO
 1
A Cabana
William Young [1 | 115] SEXTANTE
 1
1822
Laurentino Gomes [1 | 13] NOVA FRONTEIRA
 1
Ágape
Padre Marcelo Rossi [1 | 16]
GLOBO
 2
Querido John
Nicholas Sparks [2 | 32] NOVO CONCEITO
 2
Comer, Rezar, Amar
Elizabeth Gilbert [2 | 137] OBJETIVA
 2
51 Atitudes Essenciais para
Vencer na Vida e na Carreira

Carlos Hilsdorf [7 | 2]
CLIO EDITORA
 3
O Semeador de Ideias
Augusto Cury [0 | 1] ACADEMIA DE INTELIGÊNCIA
 3
1808
Laurentino Gomes
[4 | 131#]
PLANETA
 3
Por que os Homens Amam
as Mulheres Poderosas?

Sherry Argov [2 | 68#]
SEXTANTE
 4
A Última Música
Nicholas Sparks [2 | 36] NOVO CONCEITO
 4
Vida
Keith Richards [6 | 2]
GLOBO
 4
Mentes Brilhantes,
Mentes Treinadas

Augusto Cury [6 | 24]
ACADEMIA DE INTELIGÊNCIA
 5
O Milagre
Nicholas Sparks [5 | 2] AGIR
 5
Comprometida
Elizabeth Gilbert [3 | 16] OBJETIVA
 5
O Monge e o Executivo
James Hunter [4 | 300#]
SEXTANTE
 6
O Símbolo Perdido
Dan Brown [0 | #43] SEXTANTE
 6
Bilionários por Acaso
Ben Mezrich [7 | 6] INTRÍNSECA
 6
Os Segredos
da Mente Milionária

T. Harv Eker [3 | 129#]
SEXTANTE
 7
Queimada
P.C. Cast e Kristin
Cast [0 | 1]
NOVO SÉCULO
 7
Conversas
que Tive Comigo

Nelson Mandela [8 | 2] ROCCO
 7
Nosso Lar
Francisco Cândido
Xavier [5 | 30#]
FEB
 8
O Último Olimpiano
Rick Riordan [8 | 16] INTRÍNSECA
 8
Não Há Silêncio
que Não Termine

Ingrid Betancourt [5 | 10] COMPANHIA
DAS LETRAS
 8
O Efeito Sombra
Deepak Chopra, Marianne Williamson, Debbie Ford
[8 | 25]
LUA DE PAPEL
 9
Depois da Escuridão
Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe [7 | 4]
RECORD
 9
Guia Politicamente Incorreto da História
do Brasil

Leandro Narloch [9 | 48] LEYA BRASIL
 9
O que Realmente Importa?
Anderson Cavalcante
[0 | 9#]
GENTE
 10
O Ladrão de Raios
Rick Riordan [0 | 31#] INTRÍNSECA
 10
Mentes Perigosas
Ana Beatriz Barbosa Silva
[0 | 103#] FONTANAR
 10
12 Meses para Enriquecer
Marcos Silvestre [9 | 3]
LUA DE PAPEL
 11
A Pirâmide Vermelha
Rick Riordan
INTRÍNSECA
 11
Ricardo Amaral Apresenta Vaudeville - Memorias
Ricardo Amaral
LEYA BRASIL
 11
Se Abrindo Pra Vida
Zibia Gasparetto
VIDA & CONSCIÊNCIA
 12
Queda de Gigantes
Ken Follett
SEXTANTE
 12
Justin Bieber - Uma Biografia Não Autorizada
Chas Newkey- Burden
PRUMO
 12
Eles Continuam Entre Nós - Vol. 2
Zibia Gasparetto
VIDA & CONSCIÊNCIA
 13
Diário de uma Paixão
Nicholas Sparks
NOVO CONCEITO
 13
Eu
Ricky Martin
PLANETA
 13
Quem Pensa Enriquece
Napoleon Hill
FUNDAMENTO
 14
Amanhecer
Stephenie Meyer
INTRÍNSECA
 14
Uma Breve História
do Mundo

Geoffrey Blainey
FUNDAMENTO
 14
Encontre Deus na Cabana
Randal Rauser
PLANETA
 15
A Hospedeira
Stephenie Meyer INTRÍNSECA
 15
Guinness World
Records 2011

Guinness
EDIOURO
 15
Salomão, o Homem
Mais Rico que já Existiu

Steven K. Scott
SEXTANTE
 16
Fora de Mim
Martha Medeiros
OBJETIVA
 16
Hitler
Ian Kershaw
COMPANHIA DAS LETRAS
 16
O Amor é para os Fortes
Marcelo Cezar
VIDA & CONSCIÊNCIA
 17
O Pequeno Príncipe
Antoine de Saint-Exupéry
AGIR
 17
Mil Dias em Veneza
Marlena De Blasi
SEXTANTE
 17
Pai Rico, Pai Pobre
Robert Kiyosaki e Sharon Lechter
CAMPUS/ELSEVIER
 18
O Vendedor de Sonhos
Augusto Cury
ACADEMIA DE INTELIGÊNCIA
 18
Eu Sou Ozzy
Ozzy Osbourne
BENVIRÁ
 18
Nunca Desista de Seus Sonhos
Augusto Cury
SEXTANTE
 19
O Mar de Monstros
Rick Riordan
INTRÍNSECA
 19
O Outono
da Idade Média

Johan Huizinga
COSAC NAIFY
 19
Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal
Allan e Barbara Pease
SEXTANTE
 20
A Maldição do Titã
Rick Riordan
INTRÍNSECA
 20
Honoráveis Bandidos
Palmério Dória
GERAÇÃO
 20
Quem Me Roubou de Mim?
Fábio de Melo
CANÇÃO NOVA
[A|B#] – A] posição do livro na
semana anterior
B] há quantas semanas o livro
aparece na lista
#] semanas não consecutivas

Thursday, December 02, 2010

Um instante de lucidez

Paro na calçada para ver o funeral passar.
Penso,quem será?
Será que já viveu todos os seus sonhos?
Já amou quanto tinha que amar?
Quem está chorando por ele?
Para no calçada para ver o funeral passar.
Porém no instante seguinte já  esqueci da efemeridade da vida,
Do sopro que somos.
E lá estou de novo lidando com as mazelas da vida.

Wednesday, December 01, 2010

Automóvel

Atropelam-se como doidos!
O automóvel se tornou um instrumento da loucura coletiva que nos cerca.

Uma facilidade que nas mãos dos estúpidos
Acabou como arma assassina.

Só nos resta pedir consciência do valor da vida
 E um pouco mais de gentileza.

F UNERAL DO HOMEM EMINENTE

Quando o cortejo entrou no cemitério ele já não estava no caixão. Nele apenas jazia sua pobre carcaça fedorenta.Pairando no ar observava o lamento dos hipócritas,o choro dos aproveitadores de plantão.Verdadeiros e falsos amigos dividiam o peso do esquife,sôfregos e pesarosos.A jovem viúva fazia um enorme esforço para chorar e manter o ar de tristeza  no rosto,quando na verdade pensava  no saldo bancário e nos inúmeros imóveis do falecido marido.E foi assim que ele sorriu  ao perceber que deles estava finalmente livre.
Rindo da Vida-Nelson Luiz Pedra

Monday, November 29, 2010

Prisioneiro de Consciência

Quero andar num final de tarde por um caminho de terra e pedras.
Olhar para os dois lados da estrada
E ver o verde gramado onde brincam os grilos e admirar o balanço tranquilo das árvores.
Assoviando pelo caminho
Não desejo ouvir nada mais alto do que cantar dos pássaros
E o murmúrio do vento.
E assim andar feliz
Como quem degusta a liberdade bem lentamente.
O regime tomou de mim alguns anos no cárcere,
Mas não tirou o meu amor pela vida em liberdade.

Amor e seu tempo

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.


É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe


valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.


Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.  
Carlos Drummond de Andrade

Sunday, November 28, 2010

Observador

Final de tarde, horário de verão. Estou aqui na varanda observando o movimento. Temperatura boa de 25 graus. Como estou num lugar alto, consigo ver os pedestres se digladiando por espaço na ruazinha estreita. Seu Antonio, do Armazém Ramires, está na porta conversando com uma freguesa magrela, de nariz adunco, cheia de gestos e requebros. Pelo que posso ouvir está falando das intromissões da sogra no seu casamento. Um ciclista distraído se enrosca num carinho de picolé, para desespero do vendedor que esbraveja contra ele. O carinho tomba lateralmente  mas os picolés não caem. Dona Zuleika está na janela controlando Paulo, o marido galinha que bate papo com os colegas no ponto de táxi da esquina. Dona Eufrásia, costureira da rua, abre o portão para que entre Eunira, mocinha que está nos preparativos do enxoval de casamento. Os moleques Tico e Fubá muito entretidos jogando bolitas num cantinho de terra que separa os jardins de Milena, mãe de Fubá. Como é período de férias, inúmeras crianças e adolescentes gastam os chinelos pelas calçadas. Amador, o chaveiro, sentado detrás de uma mesinha desgastada assinala cartões da Megasena e sonha acordado em ficar milionário. Assim já comprou inúmeras fazendas e automóveis de luxo. Dona Cleci abre uma fresta na janela e observa as moças da vizinhança, sendo que o seu forte é a maledicência. Um branquelo careca e armado passa correndo, sendo perseguido por dois chineses que também trazem armas nas mãos. Que posso fazer?Sou apenas um canário, observando o movimento da rua aqui do meu mundinho fechado.
Miniconto,do livro "Sua Lápide Merece um Verso"
Nelson Luiz Pedra