Sunday, April 22, 2012
Monday, March 26, 2012
Poeminha- Se eu fosse um poeta
Se eu fosse um poeta,
escreveria em pétalas de rosas
uma poesia pra você.
Mas destituído de talento,
só me resta mandar esta carta simples
nesta folha sem graça,
escrita em letra de forma,
dizendo que estou derretido
e mais um pouco pela sua pessoinha.
Sunday, March 25, 2012
A MINHA VERDADE
A MINHA VERDADE
Porém na busca apenas colecionei mentiras e aproveitadores sem fim.
Quando então, convicto do nada,
Decidi apenas amar e seguir o caminho da vida,
Tirei um enorme peso dos ombros e consegui ser feliz.
Morre o escritor italiano Antonio Tabucchi
O escritor italiano Antonio Tabucchi faleceu em Lisboa aos 68 anos após uma longa doença, informou neste domingo o tradutor de sua obra para o francês, Bernard Comment. Considerado um dos maiores autores italianos contemporâneos, Tabucchi escreveu obras como Afirma Pereira e O Tempo Envelhece Depressa. Autor de mais de 20 livros traduzidos para quase 40 idiomas, o romancista, professor universitário e ensaísta era tradutor da obra do escritor português Fernando Pessoa para o italiano e um de seus principais divulgadores.
Monday, February 20, 2012
Poeminha
CORRIDA
Corra
Corra menino
Corra menino na busca do saber
Senão restará para você
Ser apenas mais um zero
No mundo dos nadas.
Corra
Corra menino
Corra menino na busca do saber
Senão restará para você
Ser apenas mais um zero
No mundo dos nadas.
Friday, February 10, 2012
Poeminha- Gaiola
GAIOLA
Gaiola não é hotel.
Por mais que o serviço seja bom, falta o principal:
A liberdade só conseguida nos céus.
Homens, abram as portinholas e consintam aos pássaros
O direito de viver sem limites.
Gaiola não é hotel.
Por mais que o serviço seja bom, falta o principal:
A liberdade só conseguida nos céus.
Homens, abram as portinholas e consintam aos pássaros
O direito de viver sem limites.
Thursday, February 09, 2012
Miniconto- Intranquilo
INTRANQUILO
Ele saiu de
casa naquela tarde completamente intranquilo, estando seu cérebro em chamas. Repetia para
si: “hoje eu mato alguém, hoje eu mato alguém.” Deixou o automóvel na garagem e
seguiu caminhando em direção à cidade. Na cabeça usava um boné branco e na mão
direita um revólver calibre 38, carregado com cinco projéteis. No caminho
cumprimentou bodes e galinhas, patos não havia. Duas centenas de metros antes
da cidade ele empacou. Sentou-se numa pedra e ficou por alguns minutos
pensativo, até mesmo sem cuspir. Então deu um grito pavoroso que acordou
os japoneses, esbugalhou os olhos e atirou na própria cabeça. Em casa, sua
mulher sentiu o coração palpitar quando viu os comprimidos do marido doente
jogados no lixo.
POEMINHA- CERTEZA
CERTEZA
A vida corre
A morte nos espera
Somos ínfimas partículas
Filhas longínquas da grande explosão
Então mesmo sabendo
O que nos aguarda no fim
Vivemos com pressa
Como se a morte
Fedorenta e fria
Não fosse nos esperar.
POEMINHA- LOUCURA
LOUCURA
Vivemos dentro sociedade uma tempestade de
Drogas
Pressa
Trânsito maluco
Desamor
Interesses
Crueldade
Corrupção
Desconfiança
Stress
Depressão
O melhor a fazer é desligar o motor do mundo
E criar o seu próprio modo de viver.
POEMINHA- RECADO
RECADO
Querida,
receba o meu coração através desta andorinha.
Vai embrulhado em papel pardo.
Faça dele o que quiser,
pois morto já estou.
PS: Morri de saudade.
Querida,
receba o meu coração através desta andorinha.
Vai embrulhado em papel pardo.
Faça dele o que quiser,
pois morto já estou.
PS: Morri de saudade.
POEMINHA- O CIRCO
O CIRCO
Era um circo pobrezinho,
De parcos recursos e lonas rasgadas.
Não tinha animais em jaulas, nem mesmo um velho leão.
Sobrevivia de espetáculos de lutas e palhaçadas,
Mas era um circo alegre.
Porém um dia o circo pobre
Além de pobre ficou triste:
Seu artista principal foi morto num bordel.
Meus olhinhos de criança
Viram quando saiu o cortejo,
Acompanhado por dois palhaços
E nenhuma multidão.
Saturday, January 28, 2012
Poeminha- Boa alma
BOA ALMA
Ela entrou pelo portão principal do cemitério
E foi aplaudida por milhares de almas antigas
Fez correr do seu caminho espíritos maus
E afastou alguns fantasmas pregadores de peças
Foi então deitar-se tranquilamente no seu esquife acolchoado
Enquanto ao redor os vivos choravam.
Poeminha- Mão amiga
MÃO AMIGA
O abismo estava lá esperando por mim
Mas apareceu uma mão amiga
E pensei estar salvo
Mas qual nada
Era uma grande mão amiga da onça
Com garras afiadas
O tombo foi grande
Mas a dor maior
Foi descobrir tamanha falsidade
Na convalescença do espírito
Refleti sobre uma verdade doída:
Os amigos verdadeiros
São mais raros que os mais belos diamantes.
Friday, January 27, 2012
Miniconto- O buraco
O BURACO
No lugar não havia placa de aviso. Um enorme perigo para os transeuntes que não tinham o hábito de olhar para o chão. Um cidadão distraído com seus pensamentos caiu então no buraco. Gritou ele por socorro durante muitas horas, até que finalmente foi ouvido. Vieram os funcionários da prefeitura e encheram o buraco de pedras e terra. O cidadão distraído não gritou mais.
No lugar não havia placa de aviso. Um enorme perigo para os transeuntes que não tinham o hábito de olhar para o chão. Um cidadão distraído com seus pensamentos caiu então no buraco. Gritou ele por socorro durante muitas horas, até que finalmente foi ouvido. Vieram os funcionários da prefeitura e encheram o buraco de pedras e terra. O cidadão distraído não gritou mais.
Miniconto- Esqueletos
ESQUELETOS
Meia-noite. Uma lua de prata brilhava no céu estrelado. Pisava eu com meus sapatos quarenta e dois por uma estradinha deserta, rumando para casa. O vento soprava manso, mas mesmo assim mexia com pequenos arbustos. Tudo calmo na noite, nem um pio da coruja se ouvia. Nisso pensava quando ouvi passos atrás de mim, só ouvidos por causa do silêncio absoluto, tão leves eram. Parei para tentar ver quem caminhava junto comigo naquele lugar ermo, ainda mais por aquelas altas horas. E vi: cinco esqueletos completos estavam lá e caminhavam em fila indiana na minha direção. Usavam chapéus, riam e batiam seus dentinhos. Como nunca acreditei em fantasmas, segui o meu caminho sem pressa. Não parei mais, mas podia os ouvir eles dizendo: espera, espera aí! Chegando em casa soltei da coleira os meus quatro cachorros. Saíram como loucos; olhei para a estradinha e ainda consegui ver um dos esqueletos correndo com uma perna só.
Meia-noite. Uma lua de prata brilhava no céu estrelado. Pisava eu com meus sapatos quarenta e dois por uma estradinha deserta, rumando para casa. O vento soprava manso, mas mesmo assim mexia com pequenos arbustos. Tudo calmo na noite, nem um pio da coruja se ouvia. Nisso pensava quando ouvi passos atrás de mim, só ouvidos por causa do silêncio absoluto, tão leves eram. Parei para tentar ver quem caminhava junto comigo naquele lugar ermo, ainda mais por aquelas altas horas. E vi: cinco esqueletos completos estavam lá e caminhavam em fila indiana na minha direção. Usavam chapéus, riam e batiam seus dentinhos. Como nunca acreditei em fantasmas, segui o meu caminho sem pressa. Não parei mais, mas podia os ouvir eles dizendo: espera, espera aí! Chegando em casa soltei da coleira os meus quatro cachorros. Saíram como loucos; olhei para a estradinha e ainda consegui ver um dos esqueletos correndo com uma perna só.
Poeminha- Moça feia
MOÇA FEIA
Quando jovem namorei Luísa
Luísa era uma moça feia
Mas tinha ela o cheiro das rosas
E o beijo mais doce que conheci
Acabei abandonando Luísa
Por uma formosura
E muito me arrependi
Deste ato impensado
Pois passado trinta anos
Não me esqueci da moça feia
Que naqueles dias ensolarados
Fez-me tão feliz.
Quando jovem namorei Luísa
Luísa era uma moça feia
Mas tinha ela o cheiro das rosas
E o beijo mais doce que conheci
Acabei abandonando Luísa
Por uma formosura
E muito me arrependi
Deste ato impensado
Pois passado trinta anos
Não me esqueci da moça feia
Que naqueles dias ensolarados
Fez-me tão feliz.
Poeminha- Quando um amigo se vai
Quando um amigo se vai
Quando um amigo se vai
É como uma estrela que não brilha mais
Mesmo entendendo
E não querendo
A gente sofre
Mais doloroso ainda
É quando ele parte
Assim de repente
Surpreendendo a sua gente
E deixando tantos sonhos pelo caminho.
Quando um amigo se vai
É como uma estrela que não brilha mais
Mesmo entendendo
E não querendo
A gente sofre
Mais doloroso ainda
É quando ele parte
Assim de repente
Surpreendendo a sua gente
E deixando tantos sonhos pelo caminho.
Poeminha- Quem já foi não sente o perfume
QUEM JÁ FOI NÃO SENTE O PERFUME
O morto aí está
Não fala nada
Não responde perguntas
Hoje você trouxe flores para o velório
Belas flores por sinal
Agora uma pergunta:
Quando ele estava entre nós
Você também lhe dava flores?
O morto aí está
Não fala nada
Não responde perguntas
Hoje você trouxe flores para o velório
Belas flores por sinal
Agora uma pergunta:
Quando ele estava entre nós
Você também lhe dava flores?
Poeminha- Medo
MEDO
Eu já tive medo da escuridão
Por não saber onde pisar
Eu já tive medo de temporais
Que com seus ventos fortes derrubavam árvores
Eu já tive medo de cemitérios
E dos seus pseudos fantasmas
Na verdade de quase tudo eu já tive medo
Todos esses medo ficaram no passado
E hoje só me amedronta
A maldade que envolve o coração dos homens.
Eu já tive medo da escuridão
Por não saber onde pisar
Eu já tive medo de temporais
Que com seus ventos fortes derrubavam árvores
Eu já tive medo de cemitérios
E dos seus pseudos fantasmas
Na verdade de quase tudo eu já tive medo
Todos esses medo ficaram no passado
E hoje só me amedronta
A maldade que envolve o coração dos homens.
Miniconto- Os pistoleiros
OS PISTOLEIROS
Lá nos cafundós do Mato
Grosso, perto de onde o diabo perdeu suas cuecas, no final de uma estrada
poeirenta e quase sempre vazia, moravam os irmãos Morais; Pedro 38, Paulo 35 e
Batista 30. Eram solteiros e quando precisavam se aliviar iam até o bordel da
Zefa, em Feliz Natal. Os
irmãos Moraes criavam porcos e matavam gente. Mais matavam gente que criavam
porcos. Matavam gente perto, matavam gente longe. O importante era a paga. Quem
morria só interessava pelo preço. Faziam tudo bem feito; a justiça nunca
triscou neles. Mais de trinta estavam na conta, bons lucros às funerárias. Não
tinham sentimentos, pouco se importavam em deixar filhos sem pai. Eram pessoas
rudes e sem bons sentimentos. A vida era assim; um serviço e depois meses de
armas guardadas. O tempo corre... Certo dia chegou naqueles confins uma bela
moça morena. Tinha brilho, belo sorriso e pernas roliças. Era quase noite e
pediu um lugar para ficar. Com boas intenções eles acolheram a mocinha,
acredite quem quiser. Foi um a noite e tanto. Rolou muito sexo e cachaça entre
o quarteto. Todos dormiram embriagados e exaustos. Quando clareou o dia ela foi
embora antes mesmo dos irmãos acordarem. Dela não mais se soube. Os irmãos? Depois de alguns dias morreram os três de
pinto podre.
Miniconto- O encontro
O ENCONTRO
Esta é a curta história de Nice, uma doce bombinha faceira e
formosa que apressadamente marcou um encontro com um pombo galã após conhecê-lo
pela internet. Embora avisada pelos familiares dos perigos de encontros assim,
nem deu bola e foi. Usou seu melhor perfume e carregou na maquiagem. O local
combinado para o encontro foi um casarão abandonado na Vila Dores. Chegaram ao
local e foram para o sobrado. Já nas primeiras carícias o tal pombo mostrou sua verdadeira face. Ela
ficou apavorada quando o dito mostrou suas garras. Na verdade não era pombo,
mas sim um gavião disfarçado. Azar da pobre pombinha que foi literalmente
comida no primeiro encontro. Restaram da Nice penas e sua
Necessaire.
Necessaire.
Miniconto- Canário de estimação
CANÁRIO DE ESTIMAÇÃO
Seu João Maria tinha um
canário, o Dodô, que trinava maravilhosamente, sempre alegria da casa. Era o
seu xodó. Num domingo em que João Maria
foi à igreja, o gato da mulher deu um jeito e pegou o canário. Penas, sobraram
penas e nada mais. Seu João até pensou em matar o gato, mas não. Fechou ele na
gaiola e disse:
- Agora, canta desgraçado!
Você só irá sair daí quando cantar igual ao meu canarinho.
O gato murchou.
Miniconto- A pedra
A PEDRA
Havia uma grande pedra no
alto do morro que dava a impressão que logo iria cair. Um especialista foi
chamado e disse: “não há perigo, está firme, não cai, eu garanto.” Nisso uma
mosca pousou na pedra, a dita firme rolou e achatou o especialista. Ele ficou
bem amassadinho.
Miniconto- A fila
A FILA
A fila ultrapassava cinco quarteirões. O passante curioso
perguntou para o último dos esperançosos:
-Fila para emprego?
-Não. Estamos pegando senha para no futuro entrarmos no paraíso.
O passante ficou atônito:
- É grátis?
-Não! Duzentos reais.
-Bem caro- falou o passante. - Acho que irei aguardar pela fila do
purgatório. Espero que seja mais em conta.
Tuesday, December 20, 2011
Poeminhas
CÃO BRAVO
Naquela casa tinha uma placa
De cuidado com o cão bravo
Mas depois algumas desavenças entre vizinhos
Descobriu-se que o cão não era de nada
E que quem mordia mesmo era o seu dono.
O VENTO E O AVARENTO
Tem o vento
Tem o avarento
O vento carrega tudo
O avarento guarda tudo
O vento sopra
Fraco
Médio
Forte
Já o avarento assopra
Sempre forte
Quando é para economizar vela.
Naquela casa tinha uma placa
De cuidado com o cão bravo
Mas depois algumas desavenças entre vizinhos
Descobriu-se que o cão não era de nada
E que quem mordia mesmo era o seu dono.
O VENTO E O AVARENTO
Tem o vento
Tem o avarento
O vento carrega tudo
O avarento guarda tudo
O vento sopra
Fraco
Médio
Forte
Já o avarento assopra
Sempre forte
Quando é para economizar vela.
Monday, December 05, 2011
Poeminha: Imundície
Eu sei que há bons políticos
Mas eles são tão poucos
Quando chegam no castelo
O sistema os engole
É como jogar uma linda rosa
Num tonel de bosta
Seu perfume e beleza
Somem ante tanta imundície.
Mas eles são tão poucos
Quando chegam no castelo
O sistema os engole
É como jogar uma linda rosa
Num tonel de bosta
Seu perfume e beleza
Somem ante tanta imundície.
Sunday, November 20, 2011
O cão
Não creio no cão
Mas se existe o dito
Anda ele trepado num palco
Empunhando um microfone
Contando lorotas
E assustando com o fogo infernal
Uma multidão de coelhinhos sem discernimento.
Mas se existe o dito
Anda ele trepado num palco
Empunhando um microfone
Contando lorotas
E assustando com o fogo infernal
Uma multidão de coelhinhos sem discernimento.
Sunday, November 06, 2011
O meu bolso primeiro
Faz tempo não creio mais em políticos
Pois sai Pedro entra Paulo pouco muda
Ou se assim quiser podemos dizer que vemos apenas alguma mudança
No perfil dos outrora porcos magros.
Pois sai Pedro entra Paulo pouco muda
Ou se assim quiser podemos dizer que vemos apenas alguma mudança
No perfil dos outrora porcos magros.
Meus sonhos
Tenho sonhos seguidos
E todos eles terminam do mesmo jeito
Eu caindo da cama.
E todos eles terminam do mesmo jeito
Eu caindo da cama.
Wednesday, November 02, 2011
A vida do ídolo
O ídolo olha pela janela do hotel
Na rua embaixo centenas gritam seu nome
Acenam e suspiram
Ele é quase um Deus
Mas o ídolo adorado
Nadando em dinheiro e fama
Mas sem ter paz
Aspira pelo nariz
O pó branco perigoso
Nesta busca incessante
Tentando encontrar nele algo que a vida não lhe deu.
Na rua embaixo centenas gritam seu nome
Acenam e suspiram
Ele é quase um Deus
Mas o ídolo adorado
Nadando em dinheiro e fama
Mas sem ter paz
Aspira pelo nariz
O pó branco perigoso
Nesta busca incessante
Tentando encontrar nele algo que a vida não lhe deu.
Wednesday, October 19, 2011
Cãozinho machucado
Como é triste ver um cãozinho
Tentando andar com uma perna quebrada
Ergue-se valente e volta a tombar
Olhando às gentes com seus olhos tristes
Mas ainda bem que em meio aos indiferentes
Há sempre um coração bondoso que o acolhe
E aplaca seu sofrimento.
Tentando andar com uma perna quebrada
Ergue-se valente e volta a tombar
Olhando às gentes com seus olhos tristes
Mas ainda bem que em meio aos indiferentes
Há sempre um coração bondoso que o acolhe
E aplaca seu sofrimento.
Inconformado
Meu pensar é denso e
Carregado de indignações
A depressão montada no desalento
Cerca o meu dia turbulento
Mas não me entrego de jeito nenhum
Pois nasci assim
Meio doce meio amargo
Eternamente inconformado com a ignorância.
Carregado de indignações
A depressão montada no desalento
Cerca o meu dia turbulento
Mas não me entrego de jeito nenhum
Pois nasci assim
Meio doce meio amargo
Eternamente inconformado com a ignorância.
Wednesday, October 05, 2011
Que paraíso?
Garganteiam nos palanques midiáticos
Que vivemos num paraíso
Mentiras deslavadas de mentirosos contumazes
Que há muito perderam suas vergonhas
Pois certo é que num paraíso
Não se veria nenhuma mãe
Implorando por hospitais
Que atendam seu filho.
Que vivemos num paraíso
Mentiras deslavadas de mentirosos contumazes
Que há muito perderam suas vergonhas
Pois certo é que num paraíso
Não se veria nenhuma mãe
Implorando por hospitais
Que atendam seu filho.
Quem diria
Não te conheço mais
Ou na verdade nunca te conheci
Amigo não és
Talvez apenas um colega
Pois percebo agora
Que teu amor ao dinheiro é maior que nossa amizade
Mas gostaria de saber
Se na hora da dor
Vais chorar no ombro de um maço de notas de cem?
Ou na verdade nunca te conheci
Amigo não és
Talvez apenas um colega
Pois percebo agora
Que teu amor ao dinheiro é maior que nossa amizade
Mas gostaria de saber
Se na hora da dor
Vais chorar no ombro de um maço de notas de cem?
Thursday, September 22, 2011
Remorsos
Quando lembro que cometi maldades
O remorso me apunhala
Mas não posso parar para lamentar
O mal foi feito e não há volta
Posso sim fazer o bem em dobro
Pra sentir a dor sossegar um pouco.
O remorso me apunhala
Mas não posso parar para lamentar
O mal foi feito e não há volta
Posso sim fazer o bem em dobro
Pra sentir a dor sossegar um pouco.
Incógnita
Até quando viverei?
O nosso tempo de vida é uma incógnita
Sendo assim nada resta senão amar muito.
O nosso tempo de vida é uma incógnita
Sendo assim nada resta senão amar muito.
Avarento
O avarento constrói seu castelo
Para se esconder do mundo
Passa dia e noite
Só pensando na fortuna que aumenta
E quanto mais cresce sua riqueza
Na mesma proporção ele fica mais só
Os parentes alhures anseiam por sua morte
Antes que o dinheiro fique mofado.
Para se esconder do mundo
Passa dia e noite
Só pensando na fortuna que aumenta
E quanto mais cresce sua riqueza
Na mesma proporção ele fica mais só
Os parentes alhures anseiam por sua morte
Antes que o dinheiro fique mofado.
Desencanto
Ando sempre buscando novas motivações
Subtraindo alguns desejos
Buscando novas fontes de alegria
Pois muitas de outrora
Perderam sua graça
Não há mais encanto
Perdeu o brilho e o romantismo
O esporte das multidões.
Subtraindo alguns desejos
Buscando novas fontes de alegria
Pois muitas de outrora
Perderam sua graça
Não há mais encanto
Perdeu o brilho e o romantismo
O esporte das multidões.
Monday, September 05, 2011
Miniconto- A Cirurgia
Depois da cirurgia cerebral ele se encontra deitado na cama de ferro, imóvel sobre alvos lençóis. De hora em hora uma enfermeira vem para ver como ele se encontra.Observa sua pressão e sai.Na parede ,solitário, um quadro da Santa Ceia faz companhia ao homem que dorme sedado.Sobre o criado mudo não há nada,nem mesmo um copo ou uma revista qualquer.O soro desce em lentas gotas e o rosto do enfermo aos poucos ganha cor.Lá fora, entre nuvens, aparecem pedaços do azul do céu.No canto esquerdo do quatro está largado um pequeno sofá marrom,que aguarda para acolher uma visita qualquer.Já faz quatro horas que a operação foi realizada; o homem abre os olhos e se mexe um pouco.A enfermeira chega,ele pede- “Onde estou?”Ela fazendo um olhar de mãe diz que ele está no Hospital Samaritano,sofreu uma cirurgia para extirpar um pequeno tumor no cérebro e que correu tudo bem.-“Tudo bem,nada,diz ele.Sou encanador,vim até aqui apenas para consertar um vazamento,resvalei e acabei caindo no banheiro.Nunca tive tumor algum,salvo minha mulher.E agora me acontece isso?”
Tuesday, August 30, 2011
Violência
A violência está nas ruas
Nas escolas e sobrados
Nas praças e restaurantes
Dentro dos lares
Dizem são culpados
Cinema televisão pobreza
Mas será?
Não seriam mais culpados os pais omissos
A força das drogas
A cultura da impunidade?
Nas escolas e sobrados
Nas praças e restaurantes
Dentro dos lares
Dizem são culpados
Cinema televisão pobreza
Mas será?
Não seriam mais culpados os pais omissos
A força das drogas
A cultura da impunidade?
Friday, August 26, 2011
Razão
A razão da vida?
A vida em si já é a razão
Não é preciso mais.
A vida em si já é a razão
Não é preciso mais.
Thursday, August 25, 2011
Tuesday, August 23, 2011
Monday, August 22, 2011
Tuesday, August 16, 2011
Trânsito
Não bastam os quebrados
Não bastam os mortos
Do trânsito absurdo
Também nos dá a impressão
Que se multiplicam
Todos os dias
Os tolos e estúpidos
Que dirigem motocicletas e automóveis.
Não bastam os mortos
Do trânsito absurdo
Também nos dá a impressão
Que se multiplicam
Todos os dias
Os tolos e estúpidos
Que dirigem motocicletas e automóveis.
Banalizaram a vida
Ninguém resiste a tamanha dor
Chora pai
Chora mãe
Chora irmão
Choram os colegas e amigos
Ela se foi tão jovem
E se foi para sempre
Mas o maldito pagou fiança
E já passeia livre para embriagar-se novamente
Pobre país de leis frouxas
Que afagam assassinos
E que não confortam
Os amados que sofrem.
Chora pai
Chora mãe
Chora irmão
Choram os colegas e amigos
Ela se foi tão jovem
E se foi para sempre
Mas o maldito pagou fiança
E já passeia livre para embriagar-se novamente
Pobre país de leis frouxas
Que afagam assassinos
E que não confortam
Os amados que sofrem.
Monday, August 15, 2011
Sunday, August 14, 2011
Saturday, August 13, 2011
Baú
Chovia lá fora
Não podendo sair e perambular
Resolvi abrir um velho baú da família
Achei o máximo
Pois não é que saltaram sobre mim
Um monte de saudades?
Não podendo sair e perambular
Resolvi abrir um velho baú da família
Achei o máximo
Pois não é que saltaram sobre mim
Um monte de saudades?
Miniconto- A HERANÇA
Naquela tarde na charneca dos Madeiras o vento soprava gelado. João Paulo caminhava lentamente, arrastando os pés como que varrendo o chão e levantando muita poeira. Quase desfalecido sentia na boca o gosto ruim do sangue que vomitava. “Maldita herança, que trouxe desgraça, que dividiu corações dantes amigos”- disse baixinho para si mesmo. O peito crivado de balas, os órgãos internos arrebentados. João Paulo olhou para o alto e pensou em gritar toda sua indignação, pedir socorro, mas tombou seu corpo num pedacinho daquelas terras da discórdia. Formigas penetraram em sua boca,moscas fizeram o primeiro reconhecimento.A herança do velho Madeira seria apenas dividida por dois.
Miniconto- TEMPESTADE
O céu ficou escuro e senti uma sensação de pânico. As nuvens ruidosas pareciam cair sobre as casas. Ventos enfurecidos revoltavam as melenas cobertas de poeira e faziam arder os olhos. Pequenos galhos e folhas já corriam pelas ruas sem lugar para ficar. Placas publicitárias de pernas de fortes voavam como penas.As gentes fechavam suas casas, cães e gatos eram recolhidos para lugares abrigados.Apressei o passo para chegar logo em casa e fugir das nuvens ameaçadoras.Algumas lesmas pegavam carona em pneus de bicicleta enquanto outras eram rápidas em seus patinetes.Entrei em casa a tempo de observar pela janela o mandatário- mor da cidade passar voando em sua cadeira de trabalho.A secretária sentada em seu colo fazia anotações e ajeitava os cabelos negros.
Friday, August 12, 2011
Monday, August 08, 2011
Sunday, August 07, 2011
Friday, August 05, 2011
Vida moderna
Parei na esquina para observar o povo
Ninguém mais caminha
Todos correm em debandada
É pressa
É loucura
A comida é engolida
A vaga é procurada
A mocinha do cartão não aparece
O nervosismo é evidente
E assim não há saúde que aguente
É azia
É úlcera
É hipertensão
E dá-lhe sal de frutas!
Ninguém mais caminha
Todos correm em debandada
É pressa
É loucura
A comida é engolida
A vaga é procurada
A mocinha do cartão não aparece
O nervosismo é evidente
E assim não há saúde que aguente
É azia
É úlcera
É hipertensão
E dá-lhe sal de frutas!
Thursday, August 04, 2011
Casa de Pedra
Queria estar agora numa casa de pedra nas montanhas
Ouvindo o vento bater lá fora
Admirando com alegria nos olhos
O vale que repousa lá embaixo
Tendo na companhia livros
E alguns filmes
E também meu cão querido
Que felizmente não faz perguntas.
Ouvindo o vento bater lá fora
Admirando com alegria nos olhos
O vale que repousa lá embaixo
Tendo na companhia livros
E alguns filmes
E também meu cão querido
Que felizmente não faz perguntas.
Wednesday, August 03, 2011
Tuesday, August 02, 2011
Depressão
A noite/tardia e encharcada/Era Nova York em julho.
Em meu quarto,escondida,/eu odiava a necessidade de engolir.
Elizabeth Prince
Em meu quarto,escondida,/eu odiava a necessidade de engolir.
Elizabeth Prince
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