Tuesday, September 24, 2013

RATOS MAQUIADOS

Não há nada de novo por aqui
Os ratos continuam mais ratos do que nunca
Contaminaram a casa já meio bagunçada com urina e fezes
E o pior é ver eles na sacada
Acenando à multidão
Maquiados maravilhosamente
Para se parecerem
Não com ratos
Mas sim com araras multicores.


Tuesday, September 03, 2013

QUEM SOU EU

Ainda não sei bem quem sou
A cada dia me conheço um pouco
De médico tenho nada
De poeta pouco

Só possuo a certeza de ter muito de louco.

Monday, September 02, 2013

NAVEGO

Navego...
Nem todo dia as águas são calmas
Tempestades açoitam a rotina
Então às vezes paro e sonho para me fortalecer
Pois a vida  se torna muito pobre quando não há mais sonhos e esperanças.


Sunday, August 25, 2013

CASA ESCURA

Na minha rua há uma casa que chamamos de ‘CASA ESCURA’. Moram lá quatro seres, pais e filhos, que não gostam de luz. Não são maus, apenas tolos que vivem lambendo um tal de Senhor, que por sinal ninguém nunca viu. Faça inverno ou verão pouco se abrem as janelas e portas, e raras visitas só de alguns abençoados que também devem conhecer o tal de Senhor. Possuem da vida uma visão diminuta, mal enxergam a ponta do próprio nariz. São como morcegos vivendo na escuridão, respirando um ar cheio de bactérias, com medo da vida, não querendo conviver com os seres de diferentes tipos de fé. São isto sim adeptos do coitadismo explícito. Para eles os vizinhos não existem, Não há cumprimentos que a boa educação confere, existe sim fuga, luzes apagadas e silêncio, salvo se o visitante de momento trouxer nas mãos alguma doação. Os moradores da CASA ESCURA são os primeiros morcegos cristãos que conheço.

Thursday, August 15, 2013

QUEM SABE SETENTA?

QUEM SABE SETENTA?

A carne não é boa coisa
O sal nos mata
O açúcar nos mata
O ar está impuro
A água contaminada
Não sei como ainda estou vivo
Descontado todo exagero
Não viverei para sempre
Deixe-me viver setenta
Tendo alguns momentos de prazer.



Wednesday, August 14, 2013

COIOTES URBANOS

COIOTES URBANOS

Quando o sol se põe
E antes mesmo da lua
Iluminar nossas ruas
Os pavorosos desentocam

Se aproveitando da escuridão
Espreitam suas presas 
Os coiotes urbanos

De olhos esbugalhados
Corpos trêmulos
São galhos secos enlouquecidos pelo vício.


Tuesday, August 13, 2013

DESESPERO

Na noite do desespero
A escuridão está só
Não há lua
Não há estrelas
Apenas existe a dor
Que como ondas em mar bravio
Ressurge mais forte para afogar de vez o meu coração.

Friday, August 09, 2013

FIM

FIM

A morte
O fim de tudo
O sono dos sonos
A paz eterna
A estaca do éter
No coração do egoísmo.

Monday, August 05, 2013

NOSSA VIDA

Num dia chovem rosas
Noutro cadáveres
O bem e o mal são finitos
Para nossa alegria ou tristeza
Depende apenas do momento que vivemos.

Thursday, August 01, 2013

O SUICIDA NO PENHASCO

Guilherme estava sentado na beira do penhasco pronto para se jogar. Os últimos dias não tinham sido fáceis para ele. A noiva o deixara no altar, havia perdido o emprego e um grande amigo dera um golpe nas suas economias. Olhando para o abismo parecia que uma voz melodiosa o chamava à paz. Mas pensando nas coisas boas que já vivera e na sua juventude resolveu desistir do infeliz intento após algumas horas ali. Decidido, ficou de pé pronto para voltar para casa. Iria se recuperar de tudo e a vida seguiria seu curso com risos e lágrimas. Era para ser assim... Mas nisso surgiu um touro bravo nas suas costas e numa chifrada certeira o jogou nos braços da morte. Só deu tempo para dizer ai!

Justo naquele dia tinha ele que estar usando uma camisa vermelha.

Tuesday, July 30, 2013

PRESOS

Chaves
Trancas
Grades
Portões
Câmeras
Fios elétricos
Cacos de vidro
Ponteiras pontiagudas
Alarmes
Vigilantes
Cães

Não somos presos do medo?

Monday, July 29, 2013

POEMA MORTO

Repleto de plágios centenários
O longo poema estava pronto
E o poeta copião
Festejado pelos bajuladores
Porém surtou o revisor
Não conformado com tamanha afronta à arte
E deu fim à festança da mentira
Matando o falso poema com cinco tiros certeiros.


O ÚLTIMO PEDIDO

O momento da execução se aproxima
A corda está no pescoço do condenado
Irritando a fina pele
Ele olha então para o carrasco taciturno
E pede com extrema educação
Uma pomada antialérgica.



Wednesday, July 03, 2013

HUMANO


Estão lá
O céu
O sol
O horizonte sem fim
Mas por que meus olhos
Só visualizam os urubus?

SAFISTA


Helena é linda
Sendo bela é cortejada
Mas dos homens quer distância
É safista essa danada.

Monday, July 01, 2013

O DESABAFO DO FILÓSOFO QUE DORME SOBRE O CAPIM


“Ó ditadores de todos os matizes que ostentam brilhantes medalhas imerecidas, comendas e adjetivos superlativos; vós que sois usurpadores da liberdade de pensar diferente e do direito de ir e vir; vós fedeis mais que matéria fecal; confesso que tenho pena dos vermes que um dia comerão vossas carnes, pois restarão para eles apenas a indigestão e o vômito.”(Filosofeno)

O RETORNO DOS ESPELHOS

O RETORNO DOS ESPELHOS

Anilda, 26 anos, morena, não que fosse feia, mas se achava. Sempre se punha defeitos. Por este motivo certo dia mandou retirar todos os espelhos da casa e pôs óculos escuros no marido. Só saía à rua disfarçada de homem, até bigodes usava. Não tinha amigas, vivia reclusa por não ter auto-estima. Na sua cabecinha era a mulher mais feia do planeta. Não poderia jamais ser feliz com esta maneira de pensar. Porém um fato ocasionou uma mudança radical na sua maneira de agir.  Anilda tomava banho numa tarde de maio quando o telhado do banheiro desabou, e junto dele veio Amauri, o filho do vizinho de 15 anos. Com ela pelada na sua frente, ainda assustado, confessou ser seu admirador, e que diariamente a espionava no banho fazendo certos maroteamentos. Ela ficou tão lisonjeada que nem brigou com o menino, sentiu-se uma gata. Mandou ele para casa e no mesmo dia foi comprar espelhos novos.

Friday, June 28, 2013

DESPACHO NA MINHA RUA


Há um despacho na minha rua
Na minha rua há um despacho
Gastou com frutas e charutos
O tonto tolo que passou na minha rua.

Tuesday, June 25, 2013

REFÚGIO


REFÚGIO
Mansa é a manhã que me recebe
No campo verde que a vista alcança
A montanha ao fundo é a guardiã
Deste lugar belo e silencioso
Cai uma fina garoa
Que é do meu gosto sempre
Sem alarde na sua calma e fria mão
Apaga o fogo da ira
Que em meu coração há pouco flamejava.


Wednesday, June 19, 2013

REALISTA


REALISTA
Tem início meio e fim
Assim é a vida
Não adianta acalentar algo diferente
Perda de tempo só
Imortalidade fica apenas nos papéis
Melhor viver cada dia como se último fosse
E esperar a dona da foice com o coração em paz.